PLANEJANDO O DESERTO
O Atacama: o deserto mais seco da Terra, e quando ir
Porque o Atacama quase não vê chuva, como o oásis de San Pedro se encaixa nessa história, e um plano prático para as estações, a altitude e as variações de temperatura.
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O Atacama encontra-se sob uma dupla sombra de chuva — os Andes bloqueiam a humidade que chega do lado atlântico do continente, enquanto a fria Corrente de Humboldt, que percorre a costa do Pacífico, suprime as nuvens de chuva que, de outro modo, se formariam a oeste. Em conjunto, privam o deserto dos sistemas meteorológicos que regam a maioria das regiões áridas do mundo, e algumas estações meteorológicas aqui passam anos, até décadas, sem registar precipitação mensurável. É por isso que o Atacama é frequentemente descrito como o deserto não polar mais seco da Terra, e por que a sua paisagem parece tão diferente de qualquer outro deserto que a maioria dos viajantes já viu.
San Pedro, o oásis no meio de tudo
San Pedro de Atacama sobrevive graças ao degelo dos Andes, canalizado por aquíferos subterrâneos e por um punhado de rios e canais de irrigação visíveis, alimentando um oásis de ruas de adobe, pequenas quintas e árvores de algarrobo no meio de um deserto, de resto, árido. A vila situa-se a cerca de 2.400 metros de altitude, consideravelmente mais baixa do que a maioria dos pontos de interesse à sua volta — e é exatamente essa diferença de elevação que a torna uma base tão perfeita: uma povoação confortável e respirável onde se dorme e para onde se regressa depois de um dia passado vários milhares de metros acima, no altiplano.
As estações, em termos gerais
A estação seca do Atacama estende-se pela maior parte do ano, mas o verão do hemisfério sul, aproximadamente de dezembro a fevereiro, pode trazer o *invierno boliviano* — o 'inverno boliviano' — uma sequência de tempestades de tarde que chegam sobre o altiplano vindas de leste e que, ocasionalmente, fecham rotas de altitude como El Tatio ou as lagoas altiplânicas por um dia inteiro. Fora desse período, o deserto é fiávelmente seco quase todo o ano, e as variações de temperatura entre o dia e a noite dependem muito mais da altitude e da hora do dia do que do mês do calendário, pelo que fazer as malas para extremos importa mais do que procurar uma única 'melhor' estação para viajar.
Aclimatando-se devidamente
A altitude de San Pedro é relativamente amena para os padrões das cidades do altiplano, mas vários dos seus passeios emblemáticos — El Tatio, as lagoas altiplânicas, Piedras Rojas — sobem bem acima dos 4.000 metros, o suficiente para provocar sintomas reais de altitude em quem ainda não aclimatou. O conselho habitual é passar pelo menos um dia inteiro na altitude de San Pedro antes de se aventurar nas excursões mais altas, beber muito mais água do que parece necessário, comer de forma leve e evitar álcool na noite anterior a uma subida exigente. Quem sofra de problemas cardíacos ou pulmonares pré-existentes deve consultar um médico antes de reservar qualquer viagem a alta altitude.
Um dia, dois climas
Um único dia de passeio no Atacama pode começar bem abaixo de zero, na escuridão total, e terminar com sol forte e intenso em grande altitude ao meio-dia — a secura do deserto significa que há muito pouco no ar para reter o calor noturno ou filtrar os raios UV durante o dia, por isso ambos os extremos são sentidos com mais força do que em regiões mais húmidas. Camadas quentes para as saídas de madrugada, um chapéu a sério e óculos de sol para o brilho da tarde, e protetor solar de FPS alto reaplicado várias vezes são praticamente inegociáveis, pois a queimadura solar em altitude instala-se mais depressa do que ao nível do mar, mesmo num dia que não pareça especialmente quente.
Ainda a decidir quais passeios, ou em que dias?
Deixe o seu email e uma ideia aproximada das datas da viagem — enviaremos um resumo rápido de como se comparam os passeios no Atacama a partir de San Pedro, o que está incluído e como se preparar para a altitude.